sábado, 18 de junho de 2011

"Eita São João danado de bão!"

"Eita tempo danado de bom!"...Época das festas juninas...o nordeste se assemelha a um gigantesco formigueiro humano.
A movimentação é fantástica: ninguém permanece imune ao clima de euforia que as músicas desencadeiam. Baião, xote, xaxado, maracatu se agigantam nos forrós que, já no começo de junho, pipocam nas várias cidadezinhas do interior dos estados nordestinos e mesmo nas capitais. É uma tradição que permanece viva. Os ensaios das quadrilhas começam cedo para fazer bonito no momento adequado.

A disposição para a confraternização é admirável. As portas estão sempre abertas para receber alguém ou para permitir que as pessoas da casa viajem para visitar parentes afastados pelo tempo ou pelo espaço.

As amizades se fortalecem, os encontros se multiplicam de maneira tal que causam inveja ao Natal. Sim, a generosidade do São João, e afins, é imperiosamente gratuita. Nada de troca de presentes (obrigatoriedade natalina)...no máximo trocam-se licores e canjicas. Em cada rosto um sorriso receptivo. Não se trata de "festa familiar"... ao contrário, todos são bem-vindos em todos os festejos... Come-se muito, as danças são imprescindíveis,
bebe-se o suficiente para acentuar a alegria, jamais para se perder o controle.

A fogueira, os fogos de artifício, a música, as quadrilhas, são ingredientes com gosto de infância e adolescência: viva-se o quanto se viver, as lembranças dessa época, mesmo para quem partiu em busca de outras paragens, são lembranças indeléveis.
Sei que alguém pode estar a contradizer, lembrando momentos difíceis em suas próprias recordações, mas... com certeza isto é a exceção que confirma a regra geral.

O São João não comporta a melancolia que envolve o Natal, festa dita
"familiar".
Talvez a disseminação do anti-humanismo que embrulha as atuais relações humanas seja a causa da quase tristeza que podemos detectar , no Natal.
Talvez...
Também não admitem, as festas juninas, os excessos do Carnaval, outra festa popular, nem sempre totalmente admirável. Aí, quase sempre,a alegria é imposta, obrigatória (e engarrafada).
Tudo é espontâneo no período junino e foi nele que eu resolvi nascer. Lá vem mais um aniversário e eu agradecida pelo invólucro em que ele se sustenta.
Dispensam-se os presentes. Viver já é O Presente. Sou grata por ele!

"Boas Festas para todos, neste "tempo bão !" quando se pode afirmar:
"Eita alegria da gota serena!"

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