quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Uma antiga história


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A Natureza nos impõe seus caprichos, nas diversas fases que vai desenrolando diante de nossos olhos. A Primavera multicolorida , cheia de brilho e esplendor, numa riqueza de detalhes que nem todos enxergam... é como se ela passasse mais rápido que as outras estações: é  tempo curto demais para que todas as cores e perfumes sejam percebidos com a merecida atenção.Sempre deixa saudade...

O Verão comporta energia extra. Há muito sol, muita praia, muitas férias a exigirem atividades enlouquecidas de desejos a serem realizados. Tudo que envolve prazer, encontros, festejos, viagens, está encastoado, quase sempre, no Verão, que brilha como joia rara...

Outono, período de reflexão e recolhimento, quando a seiva é poupada para alimentar a fase que vem depois...Uma estação plena de dourados e silêncios. Um vento frio, vindo de longe, arranca as folhas que fizeram festa no Verão; frutos se apresentam para alimentar os viajantes que, nos caminhos, buscam com o olhar algo que lhes traga de volta a força e a energia que, talvez, o verão lhes tenha surrupiado.Tempo cheio de presságios...


À sombra do que foi um outrora
repousa agora a folha emurchecida
Da cor que um dia a revestiu (bonita!)
mais nada existe e, sobre a terra, chora.
Perdeu a cor, o lustro, a primavera, a vida.
Já não protege do calor o viajante
nem exala frescor, sombra , perfume...nada!
No triste outono resta-lhe a saudade
da vida útil que viveu um dia
 
Tola cegueira que não deixa ver
a nova história que hoje desfia:
É um tapete de dourado encanto
em que os pés do viajor encontra abrigo.
E, de mansinho, suaviza-lhe o caminho...
Sem ser notada traz conforto amigo
Todos a pisam e...distraídos, a ignoram. 
 
Vejam só o que descobri agora: nunca escrevi versos para o Inverno!
Por que terá sido?

Medo das nuvens cinzentas e sombrias  que costumam encobrir o azul do céu de Primavera ou do exuberante Verão?

Inquietação que nos envolve quando chuvas, raios e trovões obscurecem o nosso ser , num sentimento de ameaças e temores reais ou imaginários? Espécie de premonição de abismos de solidão e frio?

Aquela tristeza  por saber as sementes provisoriamente escondidas , sem condições de se sobrepor às ordens da Senhora Natureza? Se for assim, melhor. É o momento de se alegrar e confiar. Em breve acontecerá a renovação...a Primavera vai retornar com todo brilho que lhe é próprio. A explosão de cores, perfumes e formas, romperá a  terra e a alegria recobrirá novamente a Vida. 


Não é assim ?  Ou tudo não passa de delírio animista de poeta   exigente de imagens e ideias poéticas atapetando o árido caminho por onde andamos?




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3 comentários:

allan martins disse...

nao

Anônimo disse...

nao

Dinah Hoisel disse...

Mesmo quando uma resposta é sintética e lacônica como a sua o blogueiro fica feliz...É UMA RESPOSTA! Sinal que ele (no caso,Eu) foi lido, foi ouvido,que não jogou palavras ao vento...Muito grata! Um abraço...