domingo, 18 de outubro de 2009

Convite

 

Convite Dinah

Tantos foram os anos dedicados à Educação e agora, no momento precioso da reflexão e das reminiscências, dedico este meu trabalho àqueles que foram parte indispensável do processo: meus alunos e alunas, a quem não considero ex, uma vez que os trago em minha lembrança e em meu coração.

E não poderia esquecer a segunda metade que compõe e coroa aquele tempo: os meus mestres, representados pelo Prof. Osvaldo Ramos (in memorian), uma glória do nosso acervo cultural.

A eles e a todos que me envolvem com sua atenção, o meu sincero agradecimento pelo apoio que me venham a oferecer.

Espero-os dia 21 de outubro, a partir das 18h, no Instituto N. Sra. da Piedade (Ilhéus).

Dinah Hoisel

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Cacos e Mosaicos

Queixa da garrafa

Cruel corrente marinha,
Retirou da minha rota
a ilha, até então a mais fiel.





A noite esqueceu até
de ir encontrar o dia..
Ficou esperando, fiel, a poesia.
















Misteriosa paisagem
Se perto dela estou
dentro dela
sou.
Se longe dela me encontro,
ela está dentro de mim.




















Dá-me grande pesar
o pesar científico
- ele se pretende unívoco!



Sofrer,
já sofri o suficiente
Agora,
prefiro viver contente.
















Por mais que eu refletisse
Por mais fundo que eu fosse (descobri)
Nada sei do vasto mundo

Nada sei do vasto mundo
A mim me basta o espanto
do mundo que existe em mim.



Viver,
Desafiar limites

Recriar instantes,
Destilar a dor,
Amar o amor.

sábado, 19 de setembro de 2009

João e Maria




Um verdadeiro furacão passou pelo jardim onde supostamente, e num rasgo de fantasia, costumo encontrar meus leitores ao espalhar meus versos.
Tudo se acabou, as flores e plantas desistiram de lutar contra
uma construção que as contornava.

Atualmente tento a reconstrução.

E convidei João e Maria a fazerem parte do contexto...e aí eles estão.E, para eles, escrevi um recadinho de boas vindas.

JOÃO E MARIA

Eu os resgatei do destino cruel
que os espreitava.
Já não precisam temer...

A brisa e o sol os revestem.
Sem grades, sem escuros,
Veem somente as sombras
desenhadas pelo sol, nas folhas,
ao variar das horas.

O perfume das flores
dá colorido ao ar que respiram
...e os alimenta.
"Hoje eles vivem na minha aldeia comigo..."
Crianças de riso fácil,
gostam de apreciar o céu
que muda de cor do raiar ao raiar do dia seguinte.

Entre os seixos rolados, alvíssimos,
eles brincam com a chuva e o vento
...e sonham...

Sonham que assim será
para todas as crianças, um dia...
Sem abandono
Sem bruxas famintas
Sem caminhos perdidos
Sem a crueldade adulta.


E neste cantinho do jardim, ainda em transformação, quero encontrar o João, a Maria e você...
Talvez livres do sufoco que envolve a nossa realidade, às vezes tão desencantada.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Momento da Criação

Ah, a importância de renovar, de renovar-se , de construir ou apenas reconstruir!
É sentir a vida pulsar e vê-la fluir ao encontro de um futuro melhor.

Podem não acreditar...em apenas UM dia aconteceu a ressurreição. O meu jardim reviveu! ( Depois de ser violentamente atingido por uma construção à sua volta).

O dia começou cedo - uma visita aos hortos para pegar o adubo e a grama. Mas,
eu não seria Eu, se saísse de lá somente com isso.
Meu olhar percorria a variedade de cores e formas...e entrava em êxtase.
O amigo-jardineiro que me acompanhava sorria e me incentivava concordando com os meus desejos. Mas, às vezes, se assustava: " Você tem certeza de que isto está dentro do seu orçamento?" Mais ou menos...estava disposta a me arriscar um pouco.

Ao meio-dia conseguimos encher o Celta até o telhado ( só de grama eram dez metros...quarenta placas! ) e voltamos para casa. Aí, um trabalho de titãs nos esperava. Nos descabelamos (ele menos, pois é carequinha) até às sete horas da noite.
Arrancar o que precisava sair...Revolver a terra...Alimentá-la com torta de mamona e adubo orgânico e ir, aos poucos, definindo o local das novas plantas. E o cuidado regenerador com as plantinhas que já ali se encontravam e que precisavam ressurgir em sua plenitude.
Meu Deus! Que imenso prazer, que entusiasmo, que delícia é possível sentir nessa tarefa de reconstruir, restaurar o que tinha perdido o brilho.
À noite, estava exausta... Tive de lavar folha por folha de algumas plantas que estavam cobertas de poeira de cimento ou tinta... e o verde reaparecia, maravilhoso.

O pequeno terreno foi recortado em dois níveis. O mais baixo só para a grama, que deveria se tornar um tapete. O nível mais alto seria o palco de exposição das "pedras preciosas" da botânica. Flores e folhas de formato e cores os mais diversos...

Sei que precisamos atender ao período de adaptação do novo. Algumas plantas sentirão a mudança. Os antúrios, escolhidos com tanto carinho, nem resistiram à "viagem" da origem (horto) até o novo endereço...As belíssimas flores murcharam...o dia estava muito quente.
Não faz mal. A terra renovada está ansiosa para mostrar seu talento gerador de riquezas. Eu espero. Já aprendi a acompanhar a paciência da natureza. "Seu Paciência", o jardineiro, já me orientou nesse caminho. Eu era muito impaciente. Tinha dificuldade de esperar.

Tudo que aqui relatei se refere a apenas um terço do espaço a ser restaurado. Ainda falta muito... justamente a parte coletiva, que é de uso dos moradores do prédio. Mas chegaremos lá!

Novamente ponho-me a ouvir Rubem Alves, um companheiro de reflexão sobre as coisas simples do cotidiano.

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera...Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas...Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu.
Pois, como disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não podes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-fim,
a asa de uma borboleta.

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim.

Ele conseguiu realizar o seu sonho. E eu também. Agora, aqui , rebrilha a minha joia, à espera dos pássaros, das borboletas, dos besouros...

"O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (Bachelard)

Quando eu ainda alimentava o sonho de morar na terra que herdei, terra árida, onde só medrava a piaçaveira, palmeira da qual se tira a piaçava, ou piaçaba, aquela fibra de fazer vassouras, eu descrevi um ideal :

Momento
da Criação

Tivesse eu, agora, a chance de escolha,
sei bem o que me faria feliz:
Um pedacinho de chão ,
que nem verde precisava ser,
pois verde eu o faria em pouco tempo.

Bastava ter comigo um deus.
Um deus que exerceria
a primeira profissão que este mundo conheceu.

Um cuidadoso jardineiro,
bem grande e forte,
para vencer as pragas
e os riscos que correm as plantas.

Grande e forte, mas cheio de atenção
e de ternura ao tocar as flores.
E, em torno de nós dois,
iria se estendendo o Jardim do Paraíso.

Vencendo dores, tristeza, solidão,
o tapete de cores
iria encantando a natureza,
fazendo cantar a vida.

As pessoas, avisando umas às outras,
se aproximariam,
num misto de encantamento e magia,
e - percebendo o incrível acontecimento-
admirando tudo, agradeceriam.

...E, sorrindo voltariam aos seus lugares
para transformá-los , também, em Paraíso.




domingo, 30 de agosto de 2009

PRINCÍPIO da MUDANÇA

Talvez o que escrevo agora tenha pouca coerência. Não me importo... Vou seguir o meu pensamento. Em nenhuma direção a que dirijo o meu olhar, encontro coerência, logo...
Primeiro quero agradecer à minha geração por ter cantado " o amor, o sorriso e a flor..." Em tempo de aridez descontrolada é muito bom saber que isso já foi possível. Lá " a tristeza da gente era mais bela...Era como se o amor doesse em paz...nem [se] sabia a que ponto a cidade [ o país... o mundo...] turvaria esse rio de amor que se perdeu..."


No momento em que vivemos, uma coisa é certeza, é exigência, é urgência : a mudança!


Já vivi tempos de exaltação e fúria, quando escrevi:

Quero visões incendiárias.
Quero vislumbrar o que virá.
Serão as cinzas do presente
o embrião da fênix futura?
Escombros serão o germe, a semente?

Diante do eterno
a aventura está apenas começando.

Cegos,
não vimos o que deveríamos ter visto.
Os padrões nos escaparam,
neles se encontra o sentido da existência.
É preciso considerar urgente
sob nova luz, sob nova lente,
e dar o salto que não soubemos dar.

Não vês o novo sol surgindo?

A mola soltou-se com estrondo.
Há um vulcão em erupção.
Presente, no ar, a morte.
Nada ficará impune.
Desta vez é tudo ou nada.

Já não vale pisar
o chão que foi pisado.
Apenas vaga memória persiste.
É o adubo do novo que consiste
na nova realidade ainda envolta
pela película do sonho
prestes a se romper.

O pesadelo acabou?
Há uma criança a nascer?

E o meu olhar visionário pressentia um futuro promissor...

Quero mãos fortes agindo
arrancando a dor do mundo
Trilhar com os que não desistem
e não desertam da luta.
Estar entre os fortes que insistem.

Só eles suportam espinhos.
Nada os faz retroceder
São o sal, a pureza, o fogo,
irradiação poderosa
que se eleva em espirais,
rompendo os próprios limites,
se expandindo mais e mais...

(Anseios)


Pudesse eu
tomaria em meus braços
todo o sofrimento humano
e o acalentaria
como quem consola
um filho enfermo e pequenino.
E cantaria baixinho
até ver secar a última lágrima.
E tudo encontraria outro destino.
E agora poderia murmurar
no meu último poema:
- Vivi. Valeu a pena.

(Último Poema)

Em outros momentos, a lucidez e a humildade traziam-me de volta à realidade e...

Na justa dimensão


Um dia (que pretensão !)
Quis consolar o mundo
e aplacar a sua
dor
para só então sentir
que não vivi em vão.

Hoje vejo-me a pedir perdão
pela estúpida ambição
- Humildade ou lucidez
(como a canja de galinha)
a ninguém traz dissabor.

Basta, ensinou-me Emily,
suavizar somente uma dor.
Um gesto a evitar
que um coração se parta.
Levar um único passarinho
a retornar ao ninho
e terei encontrado
o caminho que faz o viver justificado.

O melhor é seguir o conselho de Toquinho e Vinícius (Carta ao Tom):

"É meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor."

De minha parte, tenho algo a fazer...
Uma construção em seu entorno, destruiu totalmente o nosso jardim.
É preciso que eu o reconstrua.
Já comecei...não desisto fácil!


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

RUBEM ALVES...UM COMPANHEIRO...

Estamos próximos de completar um ano de conversas, e nesse tempo a fidelidade à POESIA é indiscutível.
Aqui não cabem discussões políticas, nem econômicas (Deus nos livre de comentar a Bolsa ou a crise mundial...que outros o façam...), nem tocamos em assuntos de moda ou atualidades sociológicas...Qualquer que seja o tema enfocado tem que estar enraizado na POESIA. Só na POESIA !
Mas...semana passada, fiz uma "reportagem"...e, nela, a POESIA entrou implícita...se encontrava no clima que envolveu o evento.

Hoje vou, de novo,afastar-me um pouco da minha companheira de viagem e repassar para vocês, uma CRÔNICA...Não minha, mas de Rubem Alves...um também companheiro de longas datas.
Seus livros têm sido, para mim, uma "pedra de toque", uma lanterna, uma música de fundo, um terreno firme.

Dedico a postagem de hoje, especialmente a Luísa...Ela acabou de ler "As Mil e uma Noites"...e, se não puder ser agora ( devido à idade), ela precisa ir fundo no seu significado, então guarde a mensagem para o momento propício . É aí que entra a lanterna de Rubem Alves. Com ele, a palavra.

AS MIL E UMA NOITES

Estou me entregando ao prazer ocioso de reler As mil e uma noites. O encantamento começa com o título que, nas palavras de Jorge Luis Borges, é um dos mais belos do mundo. Segundo ele, a sua beleza particular se deve ao fato de que a palavra mil é, para nós, quase sinônimo de infinito." Falar em mil noites é falar em infinitas noites. E dizer mil e uma noites é acrescentar uma além do infinito."

As mil e uma noites
são a história de um amor - um amor que não acaba nunca. Não existe ali lugar para os versos imortais do Vinícius (tão belos que o próprio Diabo citou em sua polêmica com o Criador): " Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure..." Estas são palavras de alguém que já sente o sopro do vento que dentro em pouco apagará a vela: declaração de amor que anuncia uma despedida.

Mas é isto que quem ama não aceita. Mesmo aqueles em quem a chama se apagou sonham em ouvir de alguém, um dia, as palavras que Heine escreveu para uma mulher: "Eu te amarei eternamente e ainda depois." É preciso que a chama não se apague nunca, mesmo que a vela vá se consumindo. A arte de amar é a arte de não deixar que a chama se apague.Não se deve deixar a luz dormir. É preciso se apressar em acordá-la (Bachelard). E, coisa curiosa: a mesma chama que o vento impetuoso apaga, volta a se acender pela carícia do sopro suave...

As mil e uma noites são uma história da luta entre o vento impetuoso e o sopro suave. Ela revela o segredo do amor que não se apaga nunca.

Um sultão, descobrindo-se traído pela esposa a quem amava perdidamente, toma uma decisão cruel. Não podia viver sem o amor de uma mulher. Mas também não podia suportar a possibilidade da traição. Resolve, então, que iria se casar com as moças mais belas dos seus domínios, mas depois da primeira noite de amor, mandaria decapitá-las. Assim o amor se renovaria a cada dia em todo seu vigor de fogo impetuoso, sem nenhum sopro de infidelidade que pudesse apagá-lo. Espalham-se logo, pelo reino, as notícias das coisas terríveis que aconteciam no palácio real: as jovens desapareciam logo depois da noite nupcial. Xerazade, filha do vizir, procura então o seu pai e lhe anuncia sua espantosa decisão:
desejava tornar-se esposa do sultão. O pai, desesperado, lhe revela o triste destino que a aguardava, pois ele mesmo era quem cuidava das execuções. Mas a jovem se mantém irredutível.

A forma como o texto descreve a jovem Xerazade é reveladora. Quase nada diz sobre sua beleza. Faz silêncio total sobre o seu virtuosismo erótico. Mas conta que ela lera livros de toda espécie, que havia memorizado grande quantidade de poemas, e narrativas, que decorara os provérbios populares e as sentenças dos filósofos.

E Xerazade se casa com o sultão. Realizados os atos do amor físico que acontecem nas noites de núpcias, quando o fogo do amor carnal já se esgotara no corpo do esposo, quando só restava esperar o raiar do dia para que a jovem fosse sacrificada, ela começa a falar. Conta histórias. Suas palavras penetram os ouvidos vaginais do sultão. Suavemente, como música. O ouvido é feminino, vazio que espera e acolhe, que se permite ser penetrado. A fala é masculina, algo que cresce e penetra nos vazios da alma. Segundo antiquissima tradição,
foi assim que o deus humano foi concebido: pelo sopro poético do Verbo divino penetrando os ouvidos encantados e acolhedores de uma Virgem.

O corpo é um lugar maravilhoso de delícias. Mas Xerazade sabia que todo amor construído sobre as delícias do corpo tem vida breve. A chama se apaga tão logo o corpo se tenha esvaziado do seu fogo. O seu triste destino é ser decapitado pela madrugada: não é eterno, posto que é chama. E então, quando as chamas dos corpos já se haviam apagado, Xerazade sopra suavemente. Fala. Erotiza os vazios adormecidos do sultão. Acorda o mundo mágico da fantasia. Cada estória contém uma outra, dentro de si, infinitamente. Não há orgasmo que ponha fim ao desejo. E ela lhe parece bela, como nenhuma outra.
Porque uma pessoa é bela, não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que se reflete nela...

Conta a história que o sultão, encantado pelas estórias de Xerazade, foi adiando a execução, por mil e uma noites, eternamente e um dia mais.

Não se trata de uma estória de amor, entre outras. É, ao contrário, a estória do nascimento e da vida do amor. O amor vive neste sutil fio de conversação, balançando-se entre a boca e o ouvido. A Sônia Braga, ao final do documentário de celebração dos 60 anos do Tom Jobim, disse que o Tom era o homem que toda mulher gostaria de ter. E explicou: "Porque ele é masculino e feminino ao mesmo tempo..." O segredo do amor é a androgenia: somos todos homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas mais velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.

As mil e uma noites
são a história de cada um. Em cada um mora um sultão. Em cada um mora uma Xerazade. Aqueles que se dedicam à sutil e deliciosa arte de fazer amor com a boca e os ouvidos (estes órgãos sexuais que nunca vi mencionados nos tratados de educação sexual...) podem ter a esperança de que as madrugadas não terminarão com o vento que apaga a vela, mas com o sopro que a faz reacender-se.

...E nada mais precisa ser dito...