segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Poetas… e eu

Já comentei, sem medo de errar:
Talvez, hoje, o que mais me agrada é estar em contato com poetas...esclareço que a maioria deles já retornou ao Olimpo.

Haverá,
ainda,
no mundo,
coisas tão simples
e tão puras
como a água bebida
na concha das mãos?

Mário Quintana

Suponho que sim ...Aquele que não se condena por beber de maneira tão infantil, tão ingênua, tão simples e tão primitiva.

Moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
Vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia.

Paulo Leminsky

Em noites de boemia
é fácil criar poesia...
Sobram-me as noites...
Falta-me a boemia.

Dinah

Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes.
Já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez.

Paulo Leminsky

Um erro cometido
2, 3, 4, 5...mil vezes,
talvez não seja um erro.
Talvez seja um acerto
em um baile de máscaras.

Dinah


Eu grito daqui
Você grita daí
Quem berrar mais alto
é que tem razão

O Rebelde


Não exijo ter razão
Destarte, não grito.
Prefiro falar baixinho
vestindo-me, ou não, de razão.

Dinah

Quero muito que venha o dia em que TODOS falem em ritmo de poesia...

Calmamente, espero... Sou teimosa! Vem comigo!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A longa viagem ao ponto de partida – Eu fui!

Não me entendam mal. Ainda não morri. E nem terminei minha longa viagem ao ponto de partida. Mas fui, sim, ao lançamento do livro de Dinah. Antes que alguém aí pense que entrou na sala da casa errada, vou avisando: Sou eu (Bel) que estou escrevendo. Levemente atrasada (quase uma semana), mas foi um atraso forçado pelas circunstâncias. Estou em Salvador, sendo enfermeira-babá de minha mãe, que passou por uma cirurgia, e – sofrimento maior – sem internet. Somente agora que Santa Dinah trouxe o tim web e me emprestou, posso, entre outras coisas, mostrar a vocês um pouquinho do que foi a noite de 21 de outubro, quando aconteceu o lançamento do livro “A longa viagem ao ponto de partida”.

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I. O ambiente

Sob as árvores no pátio da Piedade, lugar que certamente trouxe muuuuuitas recordações a todos que ali estavam: como alunos ou professores e funcionários, não há dúvida, a Piedade marcou. E a brisa do final de tarde - uma tarde quente em toda a cidade… a brisa trouxe calma e paz.

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II. O buffet

Deliciosamente arrumado, e deliciosamene delicioso. Deu pra entender?

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III. Os amigos presentes

Eu aprendi com a experiência de vida que não devemos nos queixar pelos que não atenderam a um convite nosso, e sim, celebrar os que conosco estiveram. Pois ali estavam pessoas queridas, familiares e amigos, e quem não foi… perdeu!

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IV. A Música

Fatal: Não me lembro o nome dos músicos! (Só comigo acontece isso???) Mas a qualidade é impossível esquecer! MPB lindamente tocada e cantada, poderia durar até o amanhecer…Dinah 2o livro 21-10-09 033V. A Fala da dona da noite

Dinah não queria formalidades. E assim foi. Um tempo de celebrar, ainda que tariamente, o nascimento de um filho. Sim, porque livros são filhos, poemas são filhos. E quando se dá à luz  é preciso gritar para que os outros percebam o quanto é intenso esse momento. E Dinah leu para nós sua poesia que fala desse rasgo interno que é parir a poesia.

Desespero

Parem essa loucura toda!
Calar a voz do poeta… Sacrilégio!
Profanação pior que arrancar-lhe a pele
e o coração.

Dinah 2o livro 21-10-09 040
Poema é grito de sobrevivência!
Dói-me.
Dói-me a mente…
Dói-me desesperadamente pensar,
imaginar, que “a poesia, em breve,
será lingua morta, que
pouquíssimos falam e ninguém ouve”.
Que restará de humano ao mundo
se o poeta abdicar do ofício?
Mesmo que o amor, desolado,
tenha abandonado a terra,
o fingido amor do poeta
é brado de resistência,
prova consistente, sólida, evidente
de que, um dia, houve gente!

O livro foi dedicado aos seus ex-alunos e aos seus professores. Representando as duas “categorias”, Marcelo e Dorana  (e eu também, né?)…

Dinah 2o livro 21-10-09 048… e Helena dos Anjos

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“Minha poesia é natural e simples como a água bebida na concha da mão”

Mário Quintana

 

VI. As outras falas

Como não poderia deixar de acontecer, apesar de não planejado, outras vozes se fizeram ouvir, no mesmo tom de informalidade. Minha boca, que não consegue ficar fechada, tinha que dar o ar da graça, além de Baísa e Helena dos Anjos.

Dinah 2o livro 21-10-09 059 Dinah 2o livro 21-10-09 053Dinah 2o livro 21-10-09 068E foi assim o nosso  Happy Hour. Valeu demais! E mais do que o momento, valeu o significado dele.

Dinah 2o livro 21-10-09 026

domingo, 18 de outubro de 2009

Convite

 

Convite Dinah

Tantos foram os anos dedicados à Educação e agora, no momento precioso da reflexão e das reminiscências, dedico este meu trabalho àqueles que foram parte indispensável do processo: meus alunos e alunas, a quem não considero ex, uma vez que os trago em minha lembrança e em meu coração.

E não poderia esquecer a segunda metade que compõe e coroa aquele tempo: os meus mestres, representados pelo Prof. Osvaldo Ramos (in memorian), uma glória do nosso acervo cultural.

A eles e a todos que me envolvem com sua atenção, o meu sincero agradecimento pelo apoio que me venham a oferecer.

Espero-os dia 21 de outubro, a partir das 18h, no Instituto N. Sra. da Piedade (Ilhéus).

Dinah Hoisel

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Cacos e Mosaicos

Queixa da garrafa

Cruel corrente marinha,
Retirou da minha rota
a ilha, até então a mais fiel.





A noite esqueceu até
de ir encontrar o dia..
Ficou esperando, fiel, a poesia.
















Misteriosa paisagem
Se perto dela estou
dentro dela
sou.
Se longe dela me encontro,
ela está dentro de mim.




















Dá-me grande pesar
o pesar científico
- ele se pretende unívoco!



Sofrer,
já sofri o suficiente
Agora,
prefiro viver contente.
















Por mais que eu refletisse
Por mais fundo que eu fosse (descobri)
Nada sei do vasto mundo

Nada sei do vasto mundo
A mim me basta o espanto
do mundo que existe em mim.



Viver,
Desafiar limites

Recriar instantes,
Destilar a dor,
Amar o amor.

sábado, 19 de setembro de 2009

João e Maria




Um verdadeiro furacão passou pelo jardim onde supostamente, e num rasgo de fantasia, costumo encontrar meus leitores ao espalhar meus versos.
Tudo se acabou, as flores e plantas desistiram de lutar contra
uma construção que as contornava.

Atualmente tento a reconstrução.

E convidei João e Maria a fazerem parte do contexto...e aí eles estão.E, para eles, escrevi um recadinho de boas vindas.

JOÃO E MARIA

Eu os resgatei do destino cruel
que os espreitava.
Já não precisam temer...

A brisa e o sol os revestem.
Sem grades, sem escuros,
Veem somente as sombras
desenhadas pelo sol, nas folhas,
ao variar das horas.

O perfume das flores
dá colorido ao ar que respiram
...e os alimenta.
"Hoje eles vivem na minha aldeia comigo..."
Crianças de riso fácil,
gostam de apreciar o céu
que muda de cor do raiar ao raiar do dia seguinte.

Entre os seixos rolados, alvíssimos,
eles brincam com a chuva e o vento
...e sonham...

Sonham que assim será
para todas as crianças, um dia...
Sem abandono
Sem bruxas famintas
Sem caminhos perdidos
Sem a crueldade adulta.


E neste cantinho do jardim, ainda em transformação, quero encontrar o João, a Maria e você...
Talvez livres do sufoco que envolve a nossa realidade, às vezes tão desencantada.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Momento da Criação

Ah, a importância de renovar, de renovar-se , de construir ou apenas reconstruir!
É sentir a vida pulsar e vê-la fluir ao encontro de um futuro melhor.

Podem não acreditar...em apenas UM dia aconteceu a ressurreição. O meu jardim reviveu! ( Depois de ser violentamente atingido por uma construção à sua volta).

O dia começou cedo - uma visita aos hortos para pegar o adubo e a grama. Mas,
eu não seria Eu, se saísse de lá somente com isso.
Meu olhar percorria a variedade de cores e formas...e entrava em êxtase.
O amigo-jardineiro que me acompanhava sorria e me incentivava concordando com os meus desejos. Mas, às vezes, se assustava: " Você tem certeza de que isto está dentro do seu orçamento?" Mais ou menos...estava disposta a me arriscar um pouco.

Ao meio-dia conseguimos encher o Celta até o telhado ( só de grama eram dez metros...quarenta placas! ) e voltamos para casa. Aí, um trabalho de titãs nos esperava. Nos descabelamos (ele menos, pois é carequinha) até às sete horas da noite.
Arrancar o que precisava sair...Revolver a terra...Alimentá-la com torta de mamona e adubo orgânico e ir, aos poucos, definindo o local das novas plantas. E o cuidado regenerador com as plantinhas que já ali se encontravam e que precisavam ressurgir em sua plenitude.
Meu Deus! Que imenso prazer, que entusiasmo, que delícia é possível sentir nessa tarefa de reconstruir, restaurar o que tinha perdido o brilho.
À noite, estava exausta... Tive de lavar folha por folha de algumas plantas que estavam cobertas de poeira de cimento ou tinta... e o verde reaparecia, maravilhoso.

O pequeno terreno foi recortado em dois níveis. O mais baixo só para a grama, que deveria se tornar um tapete. O nível mais alto seria o palco de exposição das "pedras preciosas" da botânica. Flores e folhas de formato e cores os mais diversos...

Sei que precisamos atender ao período de adaptação do novo. Algumas plantas sentirão a mudança. Os antúrios, escolhidos com tanto carinho, nem resistiram à "viagem" da origem (horto) até o novo endereço...As belíssimas flores murcharam...o dia estava muito quente.
Não faz mal. A terra renovada está ansiosa para mostrar seu talento gerador de riquezas. Eu espero. Já aprendi a acompanhar a paciência da natureza. "Seu Paciência", o jardineiro, já me orientou nesse caminho. Eu era muito impaciente. Tinha dificuldade de esperar.

Tudo que aqui relatei se refere a apenas um terço do espaço a ser restaurado. Ainda falta muito... justamente a parte coletiva, que é de uso dos moradores do prédio. Mas chegaremos lá!

Novamente ponho-me a ouvir Rubem Alves, um companheiro de reflexão sobre as coisas simples do cotidiano.

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera...Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas...Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu.
Pois, como disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não podes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-fim,
a asa de uma borboleta.

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim.

Ele conseguiu realizar o seu sonho. E eu também. Agora, aqui , rebrilha a minha joia, à espera dos pássaros, das borboletas, dos besouros...

"O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (Bachelard)

Quando eu ainda alimentava o sonho de morar na terra que herdei, terra árida, onde só medrava a piaçaveira, palmeira da qual se tira a piaçava, ou piaçaba, aquela fibra de fazer vassouras, eu descrevi um ideal :

Momento
da Criação

Tivesse eu, agora, a chance de escolha,
sei bem o que me faria feliz:
Um pedacinho de chão ,
que nem verde precisava ser,
pois verde eu o faria em pouco tempo.

Bastava ter comigo um deus.
Um deus que exerceria
a primeira profissão que este mundo conheceu.

Um cuidadoso jardineiro,
bem grande e forte,
para vencer as pragas
e os riscos que correm as plantas.

Grande e forte, mas cheio de atenção
e de ternura ao tocar as flores.
E, em torno de nós dois,
iria se estendendo o Jardim do Paraíso.

Vencendo dores, tristeza, solidão,
o tapete de cores
iria encantando a natureza,
fazendo cantar a vida.

As pessoas, avisando umas às outras,
se aproximariam,
num misto de encantamento e magia,
e - percebendo o incrível acontecimento-
admirando tudo, agradeceriam.

...E, sorrindo voltariam aos seus lugares
para transformá-los , também, em Paraíso.