quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um novo tempo...

Após um rápido recesso cuja razão foi a radical mudança no meu cotidiano, afinal mudei de endereço, de cidade e de astral, agora já posso assentar o pelo e...pensar! Por consequência, estou aqui, retomando o contato imediato de primeiro grau, com vocês.

Devo dizer que o meu coração está cantando aquela conhecida e maravilhosa canção:

Vê , estão voltando as flores
Vê, nesta manhã tão linda
Vê, como é bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu surgindo
Vê, o Sol iluminando
Por onde nós vamos indo.............

No momento direi apenas isto, pois estou com um pouco de pressa, as atribuições têm sido muitas...mas voltarei sem muita delonga, há muita coisa para dizer ...

domingo, 17 de abril de 2011

Despedida em alto estilo

" Oh, sim, eu estou tão cansada mas não pra dizer
que eu estou indo embora..."

Pois é...Estou deixando Salvador instigada pelo acúmulo de situações que já não me dão prazer. Até o bucólico bairro de Itapuã está mudando de perfil. A cidade cresceu e se complicou de tal forma que está difícil reencontrar a singeleza e o encanto interioranos que a caracterizavam. Deixo-a para quem tem estômago para enfrentar, não somente os seus problemas atuais, mas aqueles que se prenunciam no horizonte. O tráfego é um deles...e não o menor. Para mim, estava faltando o momento que se destacasse como uma despedida...e ele aconteceu ontem. E foi uma despedida triunfal. Não só assisti, mas me envolvi num show de MPB, no qual, mulheres especiais cantaram - pasmem- somente músicas de Chico Buarque... e que músicas!

A Caixa Econômica, num gesto de extrema sensibilidade, ofereceu aos seus próximos e a outros convidados, um espetáculo de pura magia. No palco, Daniela Mercury, Roberta Sá, Paula Lima e Margareth Menezes. Na seleção das músicas, apreciamos o talento genial de Chico ao cantar o Amor, o abandono do amor, a suavidade e o desengano de diferentes situações amorosas, o desejo de realização de sonhos impossíveis, a revitalização da mulher abandonada, ou mulher conquistada pelo brilho da ascensão social, ou...muito mais! Foram mais de vinte melodias.

Durante os vinte anos em que aqui vivi, alguns ótimos momentos dedicados ao showbusiness colocaram-me em estado de exaltação. Eventos em que o sentimento, a admiração, o êxtase estético da alma, atingiram grau máximo... A música e a poesia conseguem fazer isto comigo. Ontem aconteceu de novo. O ponto máximo esteve com Margareth Menezes, ao cantar dois assombros do magnífico músico-poeta: " Cálice" e "Geni e o Zepelim". Todo desespero, toda insubordinação, toda a miséria contida no drama da história humana, no sentido não somente individual, mas e sobretudo, como coletividade, ali estiveram brilhantemente representados na interpretação da artista.

Foi de uma grandiosidade inigualável...valeu a noite, valeu o desconforto de assistir o show em pé, equilibrada sobre os ferros da grade de sustentação do telão, uma forma que encontrei de sobrepor a minha pequena estatura àquele mar de gente que insistia em me afogar, me impedindo de ver, com cem por cento de satisfação. Mas EU VI! Meninos eu vi!

Foi um deslumbramento. A possante voz de Margareth, sua expressão corporal delicadamente contida ou explosivamente exuberante, numa excelente adequação ao sentido das frases dos poemas, levaram-nos a descortinar as dimensões pretendidas pelo poeta. Palavras fortes provocam emoções fortes.

Muito grata, menina, pela noite inesquecível em que deliciosos sambas finalizaram o espetáculo, levando a plateia ao delírio.


domingo, 20 de março de 2011

Ouvindo MAIAKOVSKI

A poesia não merece o silêncio, caso o silêncio seja sinônimo de abandono. Tão diferente daquele silêncio fecundo, no qual as palavras dançam solitárias, voam, se sorriem e, aos poucos, se entrelaçam…dão-se as mãos e deixam transparecer idéias, sentimentos, emoções reveladoras…

Ainda que a terra esteja calcinada,

mesmo que o deserto se estenda a uma velocidade máxima,

ou que a aridez avance e se aprofunde gerando a esterilidade mais absoluta…ainda assim, resta um espaço onde a poesia pode brotar.

Mas é difícil fazer florescer palavras quando o sentimento é de mudez.

Os acontecimentos recentes vêm provar que a pequena gota viajante no bico do beija-flor pode impedir que a floresta desapareça sob a fúria dos incêndios.

Resta à poesia esperar…

Esperar pelo golpe de sorte que lhe traga o refrigério e o ressurgir necessários.

Ouçamos Maiakovski

Talvez quem sabe um dia

por uma alameda do zoológico

ela também chegará

Ela que também amava os animais

entrará sorridente assim como está na foto sobre a mesa

Ela é tão bonita

Ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão

O século trinta vencerá o coração destroçado já , pelas mesquinharias

Agora vamos alcançar tudo que não podemos amar na vida, com estelar das noites inumeráveis .

( …e ecoa nos céus o grito dolorido da poesia)

Ressuscita-me!

ainda que mais não seja

porque sou poeta e ansiava o futuro

Ressuscita-me lutando contra as misérias do cotidiano

Ressuscita-me por isso

Ressuscita-me, quero acabar de viver o que me cabe…minha vida.

Para que não mais existam amores servis

Ressuscita-me para que ninguém mais tenha de sacrificar-se por uma casa, um buraco

Ressuscita-me para que a partir de hoje a família se transforme

e o Pai seja pelo menos o Universo

…e a Mãe seja no mínimo a Terra.

Será a vitória da POESIA sobre o buraco negro sugador de toda luz, de toda inspiração, de toda criação…

É a ressurreição.

Esperemos. É tempo de ressurgir…


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aline Dichte, outra vez...

Há tempos ela não comparecia ao meu campo audio-visual. Acabo de encontrá-la. Como sempre desfia um rosário de queixas, mágoas, protestos ou quebrantos.

Pacientemente a escuto...e não posso deixar de transformar em versos os seus queixumes. Ela é, para mim, uma fonte de inspiração. Querida Aline, um poço de sentimentos, reais ou fictícios? Não saberia responder...

Preciso ser prática

Preciso urgentemente de um parceiro

para dividir comigo o dia.

Há lâmpadas que não sei trocar

Um chuveiro a enguiçar

Lacres de garrafas que não consigo abrir

Alturas além do meu alcance

Pesos muito além da minha força.

Missões impossíveis de resolver sozinha.


Entretanto,

explicando com clareza,

não preciso de ninguém

pra me acompanhar à mesa.

Ninguém que me venha ajudar

a refletir a vida

ou melhorar o espaço

em que nos perdemos de ser irmãos.

Não me faz falta

alguém que me aqueça as mãos

se, à noite, sinto frio.

Alguém que divida risos.

Também não careço dividir

a brisa alegre dos domingos.

Gosto (mesmo?) de estar só

a ouvir Gal, Djavan, Elis

em qualquer fim de semana

e, divagando, olhar o mar

na vivência saborosa

de um barzinho a beira-mar.


Nem preciso de um ombro

pra acomodar a tristeza

se vejo que ela já vem.

Gosto de seguir sozinha

sem rumo e sem destino

ruminando a paisagem

em solitária viagem

sem hora de ir ou vir...


Encerrando o meu discurso

destilando azedo verbo

tranquila posso ir dormir

...e tudo mais vá pro inferno.


Pois é... é assim que ela se apresenta.Mas não me deixa preocupada.

Bastam alguns passos, como acontece com todo caminheiro, pois "quem caminha noite e dia sempre encontra um companheiro", um bom papo, uma viola só, um canto... e a estrada reencontra o rumo...até nova recaída.

"...Sua vista pouco alcança, mas a terra continua"... Segue em frente, Aline...